Sem ti
serei eternamente um rochedo gélido e mortífero, procurando
refúgio em infinitos ninhos de colibris e
outros pássaros-maravilha,
que matarei consecutivamente com as
minhas pontas afiadas
e revoltas,
sem noção alguma que sempre lhes serei um perigo; esses pássaros indefesos iram sempre
voar na minha direcção, buscando os
brilhantes reflexos das minhas lâminas,
fitando uma morte que não conhecem e que nem julgam existir porque
são pássaros, como eu fui um dia.
Quero esses pássaros por querer a juventude
fresca
ingénua
tola, inocente, causal, efémera, translúcida
que perdi um dia sem
sequer entender que as lâminas eram as tuas, e as pontas
aguçadas me desfiavam o rosto e me tornariam,
irreparavelmente,
num rochedo como tu.
Sem comentários:
Enviar um comentário